segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mostra Municipal de Teatro

Texto escrito pelo diretor da Cia Experiencial O Teatro do Excluído, Luiz Henrique Dias.

Começa nesta terça-feira, 15 de novembro, a Mostra Municipal de Teatro do Foz do Iguaçu.

Temos, no entanto, pouco, muito pouco, a comemorar.

Com um orçamento 10% do inicial, o que era para ser um grande encontro com o Festival Latino-Americano, a Mostra Nacional e a Mostra Municipal foi adaptado às migalhas e acabou só na Mostra Municipal (mais barata, menos trabalhosa e paliativa). Os dois outros encontros (Nacional e Internacional) foram adiados e, ao que dizem, somente em 2012 serão produzidos.

O evento, apesar de sua pífia capacidade de agregar valor à cidade, é simbólico e representa a luta de poucas pessoas para fazerem a Cultura funcionar minimamente em Foz do Iguaçu. Os avanços com a ida de Juca Rodrigues à Fundação, junto com sua pequena, mas trabalhadora, equipe, e a volta do diálogo com a nomeação de João Adelino para a pasta não bastam. São grandes pessoas e ótimos profissionais. Mas, sem dinheiro, é impossível se obter resultados.

Minha Companhia vai participar da Mostra com a Peça Guizos, em cartaz desde julho. Já falei isso publicamente e repito: vamos estar na Mostra em respeito a equipe de trabalho da Fundação e à cidade. E só. Estávamos inscritos no Festival Latino-Americano. Participar da “versão enxuta” foi uma decisão do Grupo. Uma forma de protestar sem boicote.

Acredito ser a sequência de acontecimentos que impediram a cidade de receber um grande evento de teatro a exposição de um grave problema: a falta de entendimento da função da cultura na sociedade e do significado do termo “políticas públicas de cultura”.

Cultura não é gasto.

Quantas vezes vamos ter que dizer e quantos exemplos bem sucedidos pelo Brasil precisamos mostrar para provar o tamanho da importância da valorização cultural e da produção estética para uma sociedade?

Onde estão os Pontos de Cultura? Onde estão as salas de espetáculos (e não aquele teatrão horroroso que querem fazer)? Onde está o Sistema Municipal de Cultura funcionando e como será tudo depois da Conferência Municipal e da eleição do Conselho? Não adianta meia dúzia de pessoas bem intencionadas. Cultura se faz com dinheiro e, principalmente, com respeito.


Retirado do blog do Luiz :)

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