quinta-feira, 29 de março de 2012

Oficina de Dramaturgia do SESI/PR

Luiz Henrique Dias, encenador da Cia, ministrará as turmas iniciante e avançada da Oficina de Dramaturgia do SESI/PR em Foz do Iguaçu.

Os interessados em participar da turma iniciante devem enviar, juntamente com a ficha de inscrição, um texto de autoria própria, em uma lauda, não necessariamente de gênero dramático, mas passível, por exemplo, de adaptação ou cuja ideia possa ser, caso haja interesse, desenvolvida para o teatro ao buscar respaldo nos conceitos discutidos durante a Oficina – ainda que não se pretenda orientar os participantes a encaixar suas produções em modelos preestabelecidos -, que podem gerar novas dramaturgias no decorrer dos debates.

Os participantes da turma iniciante de 2011 que tenham interesse em se inscrever para a turma avançada devem enviar, juntamente com a ficha de inscrição, um trecho do texto produzido durante a Oficina.

As inscrições são gratuitas e vão até o dia 20 de abril. A Ficha de Inscrição deve ser enviada para o email nucleodedramaturgia@sesipr.org.br

O Edital e a Ficha de Inscrição estão no site do SESI.

terça-feira, 6 de março de 2012

A esquizofrenia no teatro iguaçuense

Texto de Garon Piceli publicado originalmente em seu blog.

De imediato pode soar mal dizer que um grupo teatral sê esquizofrênico, mas não. Só apresenta sintomas um pouco complicados de entender. São alucinações, alterações de pensamento, transtornos de humor e principalmente a paranoia

Há um teatro em Foz do Iguaçu “sofrendo” destes sintomas – ótimo se fosse contagioso entre os grupos teatrais, se manifestando de forma explosiva e instantânea. Seria ótimo ouvir, saborear, cheirar e sentir tudo o que a esquizofrenia teatral proporcionaria à cidade.

Falo aqui do impulso e da agressividade da Cia Experiencial Teatro do Excluído de Foz do Iguaçu, que com muita força de vontade está se destacando entre as produções teatrais mais intimistas do Brasil.

A exclusividade do teatro está em contar com apenas 10 lugares, os atores encenam em um ambiente de 35 metros quadrados entre os expectadores. A iluminação é pouca e indireta. A palavra dita a interpretação e não o contrário. Não há espetáculo, o que se vê é o trabalho do dramaturgo muito bem regido pelos atores. Algo que ninguém está acostumado, é quase um desconstruir. É uma nova respiração, um novo fôlego, uma nova leitura, uma nova roupagem.

Atualmente em cartaz com “Como se eu fosse o mundo” – do dramaturgo Paulo Zwolinski, peça já montada pelo aclamado diretor Roberto Alvim, o mesmo assina o programa da peça, induzindo o espectador a uma narrativa sombria e sólida do teatro iguaçuense – o encenador Luiz H Dias nos coloca no centro escuro de uma discussão familiar em prantos que dialoga com os sintomas do grupo teatral, a esquizofrenia.

É neste caminhar que eu acredito que a Cia Experiencial Teatro do Excluído está saindo da exclusão e se tornando referencia em produção própria e com muita personalidade em Foz do Iguaçu.

Vale a pena conferir a peça em cartaz no Teatro da Lupah, na rua Rui Barbosa, 1172, Centro. Exibida até o dia 29 de abril aos sábados às 21h.

domingo, 4 de março de 2012

Foz do Iguaçu Deve Criar o Seu Teatro

Ontem, sábado, 21h, apresentamos pela primeira vez na cidade o texto "Como se eu fosse o mundo". A peça foi assistida por apenas dez pessoas - e assim sempre será -, conhecidos ou não. Quatro pontos me alegram no resultado desta estreia:

1 - oferecemos para a cidade dois novos artistas para teatro: Gabriela, atriz, e Yuri, iluminador, ambos treinados e orientados por nossa companhia e fundamentais ao processo. 

2 - abrimos nossa quarta temporada permanente. Algo inédito em Foz. Há tempos vemos os grupos apresentarem seu trabalho algumas poucas vezes ou, mesmo, em uma única apresentação, na maioria dos casos para familiares e amigos. Temos o orgulho de, em uma cidade do interior do Paraná, chegarmos a média de 60% de público espontâneo e desconhecido em todas nossas temporadas. Guizos fez cinquenta e duas sessões na cidade, em apenas quatro meses. 

3 - respeitamos o direito do autor. Não falo apenas do direito de receber pelo seu trabalho - pois isso é um pressuposto - mas do respeito de saber quem está montando seu texto e o porquê de estar montando seu texto. 

4 - respeitamos nossa proposta estética. Respeitamos o Teatro. O espectador. Respeitamos o silêncio e, acima de tudo, o escuro: fundamental à expansão da palavra. Teatro se faz assim. E não de outro jeito. 

Foz do Iguaçu deve criar o teatro. Ele não existe. Nunca existiu. E não estamos sozinhos nesta empreitada. Há, em Foz, apenas dois grupos fazendo parte desse processo. Rompendo com a velha estética definitivamente e criando o teatro da cidade. Não "reerguendo" como pregam uns. Isso é repetir os velhos erros. Criar. Devemos criar. Apenas. 

Agora, seguimos nossa temporada. Todos os sábados, 21h, com Como se eu fosse o mundo. E, a cada final de semana, a cada nova apresentação, a cada novo trabalho, estaremos lá para ajudar a criar o teatro na cidade.
Texto de Luiz Henrique Dias, encenador da Companhia Experiencial O Teatro do Excluído.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Como Se Eu Fosse o Mundo





A ausência 

Um passado. Duas pessoas. Um filho. 

Como se eu fosse o mundo, de Paulo Zwolinski, com direção de Luiz Henrique Dias, fala de presença, e de sua ausência. Num ambiente de silêncio e penumbra, perpetua duas vozes unidas por uma criança e distantes por um abismo. O espectador é convidado a observar o quanto a palavra – mais que o mundo - pode ocupar um lar destruído pela convivência, ou mesmo, pelo acaso. O elemento de coesão entre os presentes é o mesmo de tensão e o insuportável se mostra belo e fundamental. 

A Companhia 

A Companhia O Teatro do Excluído foi fundada em 2007 por Luiz Henrique Dias. Em 2011 entrou em uma nova fase, a da experienciação teatral, consoante com os trabalhos desenvolvidos no Núcleo de Dramaturgia SESI e no estudo das Dramáticas do Transumano. O primeiro trabalho dentro desta estética foi Guizos. A primeira peça teatral na história de Foz do Iguaçu a ser apresentado em três temporadas, com 52 sessões na cidade. Para dar corpo ao seu trabalho, Luiz Henrique Dias fundou, junto com Yuri Amaral, o Teatro da Lupah!, uma sala de 15 lugares, destinada à pesquisa teatral e estética.

Release escrito pelo encenador e dramaturgo Luiz Henrique Dias.
Vídeo criado por Rafael Ramires.