quinta-feira, 12 de abril de 2012

Carta Aberta à Presidenta Dilma Roussef

Reproduzo abaixo a Carta Aberta à Presidenta Dilma Roussef solicitando providências para o Setor do Livro, Leitura e Literatura do MinC e torno público o posicionamento da Cia contra a paralisia do fomento.

CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF

O SETOR DO LIVRO, LEITURA E LITERATURA PEDE PROVIDÊNCIAS

Senhora Presidenta,

os que assinam esta Carta Aberta o fazem por entender que se esgotaram todas as possibilidades de mudanças nos rumos das políticas voltadas para a área do livro, leitura e literatura no âmbito do MinC (Ministério da Cultura) e FBN (Fundação Biblioteca Nacional). Para nós, é necessário que a Senhora, como leitora e incentivadora destas políticas, conheça de perto o real quadro deste importante e fundamental setor para a construção de uma nação realmente desenvolvida e independente.

Antes de expor nossos argumentos, é importante salientar que as pessoas que assinam este documento militam na área de cultura e foram, em sua maioria, defensoras de sua eleição. O principal motivo que nos levou a apoiá-la, além de outros avanços nas diversas áreas do país, foi o gigantesco salto dado pelo Brasil na construção de uma política de cultura como política de Estado nos dois governos Lula e, mais especificamente, os enormes passos dados na construção de uma política voltada para o livro, leitura e literatura, visando responder a enorme dívida social que o Estado Brasileiro tem com sua sociedade: o nosso grande déficit de leitores.

A Senhora representava a manutenção deste projeto e sua grande possibilidade de fazê-lo avançar ainda mais. Estávamos todos entusiasmados com o momento que o país vivia e confiantes de que o projeto político-cultural seria mantido. Sabíamos que ajustes eram necessários, mas também sabíamos que a manutenção da base e do caminho trilhado até sua posse seria o mais coerente.

Senhora Presidenta, não vamos aqui detalhar os problemas enfrentados na gestão da ministra Ana de Holanda, que vem recebendo muitas críticas de setores que sempre apoiaram os rumos das políticas culturais do Governo Federal desde a posse do ex-presidente Lula. Vamos nos limitar a analisar as questões relacionadas às políticas para o livro, leitura e literatura.

Desgoverno e propaganda

Senhora Presidenta, todo o problema na área do livro, leitura e literatura começou com a intervenção anti-democrática do senhor Galeno Amorim, nomeado presidente da FBN no início de 2011, que se dedicou a desmontar estruturas importantes em nosso setor, a desmobilizar o Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura e a retroceder em conquistas fundamentais, tudo em função de uma desastrosa centralização das políticas na Fundação Biblioteca Nacional.

Alertas para os problemas que trariam estas manobras, diversas moções e recomendações, além de correspondências encaminhadas à ministra Ana de Holanda, e ao presidente da FBN, Galeno Amorim, foram redigidas e manifestadas no âmbito do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura e do Conselho Nacional de Política Cultural, instâncias do MinC para a participação da sociedade civil. Infelizmente, estas manifestações foram ignoradas.

A centralização das políticas para o setor em um único organismo, a Fundação Biblioteca Nacional, provocou o maior retrocesso que a área viu desde que se iniciou a implantação das políticas públicas para o livro, leitura e literatura. A Diretoria do Livro, Leitura e Literatura - DLLL, que funcionava vinculada à Secretaria de Articulação Institucional do MinC, passou a ser subordinada à FBN e iniciou-se um claro processo de desmonte de sua estrutura.

É preciso salientar que a conquista desta diretoria na estrutura do MinC representou grandes avanços para o setor. Sua mudança de subordinação administrativa gerou um intencional rebatimento político negativo com a paralisia de vários projetos como o PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) e de uma mudança prejudicial no foco das políticas: antes voltadas para a formação de leitores e agora curvada ao comércio de livros, para atender alguns interesses imediatos do mercado editorial.

Esta mudança de foco atende a demandas antigas do mercado, mas é contraditória à medida que reduz os investimentos nos eixos estruturantes das políticas do setor: a criação literária e a formação de leitores, reduzindo o papel do Estado a agenciar políticas para a formação de uma imensa massa de novos consumidores, atendendo ao apetite desmedido do mercado.

Não temos posição contrária a políticas que dinamizem a indústria e o mercado editorial. O que questionamos é o que se nos revela como miopia política pela inversão de valores: a priorização dos interesses imediatos do mercado, em detrimento justamente das dimensões que dão lastro, sentido e qualidade às políticas públicas nacionais do livro, leitura e literatura: a Formação de Leitores. O que questionamos é a ênfase no livro como mera mercadoria e no leitor como simples consumidor desta mercadoria – e não como cidadão com direito universal de acesso ao conhecimento.

Para comprovar esta mudança de foco, fizemos um rápido levantamento dos investimentos feitos em 2011 e algumas comparações com 2010:

A FBN/MinC investiu no ano passado cerca de R$ 40 milhões no Livro Popular, um projeto para resolver as questões impostas pelo mercado, mais cerca de R$ 4 milhões em feiras do livro, contra apenas cerca R$ 6 milhões em leitura e pouco mais de R$ 2 milhões em fomento à literatura, ainda assim, parcialmente executadas e às custas do congelamento de políticas de sucesso implementadas pelo próprio MinC, e seus órgãos subordinados, como a Funarte, de 2007 para cá.

Em 2010 estavam aprovados e orçados no Fundo Nacional de Cultura (com editais com pareceres favoráveis) R$ 30 milhões para a área do livro, leitura e literatura. O único edital executado foi o de R$ 3 milhões para as pequenas e médias livrarias (que se insere nas demandas do mercado, apesar de o defendermos como de extrema importância, pois está vinculado à promoção cultural nestes espaços, que enfrentam a concorrência desigual das grandes redes). Os demais editais, todos voltados para a formação de leitores, mediadores e área literária foram ignorados pela nova gestão da FBN.

Vale ressaltar que o edital das livrarias foi aberto antes de o senhor Galeno Amorim assumir a FBN (em janeiro de 2011) e concluído a partir de uma pressão exercida pelo Colegiado, demanda assumida pelo secretário de Articulação Institucional do MinC, Luiz Roberto Peixe, e pelo então diretor da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, Fabiano Santos Piúba.

Segundo dados da própria FBN, é possível apurar os seguintes números orçados para a ação das políticas do livro, leitura e literatura em 2011, ainda que não saibamos da sua real execução:

LIVRO

- Edital para compra do Livro Popular: R$ 36,9 milhões

- Gestão do Livro Popular: R$ 1,5 milhão

- Circuito de Feira de Livros: R$ 3,3 milhões

- Gestão e execução do programa Livraria Popular: R$ 2 milhões

- Feira de Frankfurt: R$ 1 milhão

Total: R$ 44,79 milhões

Cabe ressaltar um dado grave: o montante destinado ao Edital de Compra dos Livros Populares é resultado de uma emenda parlamentar do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) que deveria ser executada com a finalidade de modernizar e implantar bibliotecas.

BIBLIOTECAS

- Edital Mais Cultura de Apoio a Bibliotecas: R$ 2,065 milhões

- Modernização da Biblioteca Estadual do RS: R$ 2,362 milhões

- Kits de Modernização de Bibliotecas Municipais: R$ 4,319 milhões

Total: R$ 8,746 milhões

LITERATURA

- Internacionalização: R$ 1 milhão

- Bolsas de Tradução: R$ 256 mil

- Caravana de escritores: R$ 1 milhão

Total: R$ 2,256 milhão

1. O presidente da FBN chegou a anunciar R$ 1 milhão para o programa de tradução, mas foram investidos apenas R$ 256 mil.

2. Não há clareza sobre o que significa o item orçamentário “Internacionalização”

3. O programa de Caravana de Escritores ainda não saiu do papel.

Ou seja, o investimento real em literatura, na verdade, se resumiu a pouco mais de R$ 1 milhão.

LEITURA

- PROLER (Cidadania e Leitura): R$ 2,1 milhões

- Agentes de Leitura: R$ 2,84 milhões

- PROLER (Formação de mediadores): R$ 912 mil

- Pontos de Leitura/Quilombolas: R$ 300 mil

Total: R$ 6,152 milhões

Vale lembrar que:

1. As ações do ProLer foram orçadas em 2010.

2. No programa Agentes de Leitura, havia R$ 5 milhões aprovados pela Comissão Nacional do FNC, mas a direção da FBN retirou R$ 2,16 milhões para o Programa Livro Popular, reduzindo para quase a metade as possibilidades de investimentos no principal programa formador de leitores do país.

3. A FBN coloca na conta cerca de R$ 7 milhões de restos a pagar de 2010 do Mais Cultura do MinC para convênios com os Estados e com as Prefeituras.

O resumo, SENHORA PRESIDENTA, é que para 2011 foram prometidos os seguintes blocos de investimentos, ressaltamos, sem o aval do Colegiado Setorial, e que caracteriza bem a mudança de foco do MinC/FBN nas políticas do livro, leitura e literatura:

- Livros: R$ 44.792.000,00

- Bibliotecas: R$ 8.746.000,00

- Literatura: R$ 2.256.000,00

- Leitura: R$ 6.152.000,00

Em torno de 76% voltados para ações de livros e em torno de 60% desse orçamento para a compra exclusiva de livros. A justificativa para os investimentos em compra de livros pode até ser a de que beneficiarão as bibliotecas, mas uma rápida análise comprova que a necessidade de nossas bibliotecas está muito além da simples renovação de seus acervos, sendo muito maior a necessidade de qualificação e ampliação de seus quadros profissionais (mediadores de leitura), a modernização de seus espaços, a presença de escritores dialogando diretamente com o público e sua transformação em verdadeiros centros culturais e não apenas meros depósitos de livros. Cabe ressaltar ainda que esta compra de livros populares, em boa parte, é feita a partir de estoques não vendidos das editoras (ou seja, edições antigas).

Outro investimento paralisado em 2011 (este não se trata de valores, mas sim de vontade política), definido como prioridade no processo da II Conferência Nacional de Cultura e pelo Colegiado Setorial, trata da institucionalização das Políticas:

- Instituto Nacional de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas

- Lei do Plano Nacional de Livro e Leitura

- Fundo Setorial Pró-Leitura

Há ainda os editais não executados em 2011, previstos no Fundo Nacional de Cultura em 2010:

1) Edital Todos pela Leitura - R$ 11 milhões

2) Edital Cidades de Leitores – R$ 3 milhões

3) Edital de Bolsa de Criação, Difusão, Formação e Intercâmbio Literário - R$ 10 milhões

4) Edital de Produção e Circulação de Periódicos Literários - R$ 3 milhões

Todos estes investimentos garantiriam R$ 14 milhões a mais nos programas de formação de leitores e outros R$ 13 milhões na área de literatura. A FBN/MinC subtraiu esses recursos para direcioná-los todos a compra de livros.

Vale lembrar ainda neste item, que em 2010 foram investidos R$ 4 milhões da Funarte nas Bolsas de Criação e Circulação Literária, programas que foram interrompidos em 2011 (ou seja, mais uma redução no investimento em literatura), com a promessa de retornarem em

2012. Este investimento foi interrompido por interferência direta da presidência da FBN, que gestionou para que estas bolsas fossem retiradas da Funarte.

PNLL – Plano Nacional do Livro e da Leitura

O PNLL é nosso documento de referência, não só por consolidar os grandes eixos do corpo das políticas públicas do livro, leitura, literatura e bibliotecas, mas por ser fruto do esforço dialogado entre governo e sociedade civil, e por ter sido, senão o primeiro, um documento de referência nas políticas culturais, inspirador para outros setores da cultura desencadearem o processo de elaboração de seus respectivos Planos.

A sistematização desse rico processo e seu grau de reconhecimento está bem posta no prefácio do José Castilho Marques Neto, ex-secretário Executivo do PNLL, na publicação PNLL Textos e História: 2006-2010, quando afirma que:

“Com o PNLL e seu desdobramento nos Planos Estaduais e Planos Municipais de Livro e Leitura, que já começam a acontecer desde 2009 em muitos cantos do país, o Brasil pode afirmar que está próximo de conquistar uma Política de Estado para a leitura.

O Brasil alcançou com o PNLL um patamar político e conceitual que é imprescindível para se consolidar uma Política de Estado para o setor, isto é, o desejado consenso entre governo e sociedade tanto no diagnóstico do que é preciso fazer quanto nos objetivos a alcançar para se tornar um país de leitores.

A obtenção deste consenso foi o que mais projetou o PNLL para os países ibero-americanos, tornando-o referência para muitos dos planos de leitura que também se desenvolvem nos países irmãos do continente americano e no mundo ibérico.

Os entrelaçamentos conceituais e práticos da ação do Estado com a sociedade e a indissociabilidade entre a cultura e a educação na formação de leitores são pontos referenciais que o PNLL do Brasil possui e foram intensamente debatidos e assimilados como necessidade da política pública de leitura em inúmeros foros internacionais”.

O PNLL está paralisado desde a saída do então secretário-executivo, José Castilho, em abril de 2011, o que torna o quadro das políticas para o livro, leitura e literatura ainda mais desalentador. Somente em dezembro de 2011 foi nomeada a professora Maria Antonieta Cunha, para substituí-lo. Para piorar a situação, dois meses depois Antonieta foi anunciada como nova titular da DLLL, deixando novamente acéfala a direção do PNLL.

Com a demora na nomeação da substituta do Castilho, a insegurança política gerada e o desmantelamento da equipe, o Plano ficou um ano praticamente paralisado. Em 2010 havia cerca de 700 municípios cadastrados. Além de não haver registro confiável da ampliação dos planos municipais em 2011, o DLLL não consegue monitorar o andamento dos Planos municipais e estaduais em curso.

O aspecto mais transparente desta paralisia pode ser resumido em três exemplos: desde abril de 2011 o site do PNLL não é atualizado, desde dezembro de 2010 não é expedido o boletim semanal do Plano e em 2010 foram realizados quatro cursos para gestores de PELLs e PMLLs, enquanto em 2011 somente um até março e outro iniciado em abril.

AGENTES DE LEITURA

Em 2011 foram formados 164 agentes de leitura nos municípios de São Bernardo do Campo (SP), Nilópolis (RJ) e Canoas (RS).

Os dados do MinC informam que até 2010 existiam convênios que garantiam a ação de 3.877 agentes de leitura em todo o país, divididos entre 9 governos estaduais, 16 municipais e três consórcios intermunicipais.

Fundo Pró-Leitura e Sistema Nacional de Bibliotecas

Outra situação grave, que vale ressaltar sempre, é o completo desaparecimento de pauta do Projeto de lei de criação do Fundo Pró-Leitura (projeto que vinha tramitando com pareceres técnicos e jurídicos consolidados dos ministérios da Cultura, Educação, Planejamento, mas sobretudo da Fazenda, que redigiu a forma e estrutura da Contribuição Social).

Esse projeto surgiu a partir da desoneração fiscal em 2004, pelo Governo Lula, do PIS/COFINS/PASEP para editoras, livrarias e distribuidoras. Em contrapartida, estes setores do mercado editorial se comprometeram e assinaram documentos em torno do compromisso de contribuir com 1% do faturamento anual para o Fundo Pró-Leitura. Os impostos que foram reduzidos a alíquota zero pelo Governo Federal impactavam em média 9% do faturamento da cadeia produtiva. Este processo nunca foi concluído, sempre sofreu oposição do setor produtivo e, coincidentemente com a entrada do referido atual presidente da FBN no gerenciamento das políticas, o debate desapareceu.

Por último, neste arrazoado de informações, também ficou esquecido o projeto de fortalecimento ou revitalização do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). Apesar dos anúncios de investimentos em bibliotecas, o cenário beira o descaso quando se trata de bibliotecas municipais. Basta analisar o Censo Nacional de Bibliotecas Públicas.

Senhora Presidenta,

quando sistematizamos as informações referentes ao exercício de 2011, fica claro quais foram as prioridades desta gestão. Não somos oposição a este governo, muito pelo contrário, trabalhamos muito, vidas inteiras, para ajudar este projeto a ser implementado no País. Por isso é muito triste ver os rumos tomados pelo MinC/FBN em sua gestão.

É grande a ideia do PNLL: construir programas de base para a formação de leitores, valorizando os agentes de leitura e a centralidade da biblioteca; fomentando a nossa produção literária e a formação de educadores-leitores. O avanço seria inestimável se tudo

isso continuasse no mesmo rumo, e o setor do livro, leitura e literatura daria uma contribuição imensa para a formação da base da nação que tanto sonhamos e tanto desejamos.

Sem o devido investimento em leitores, literatura e livros, jamais daremos o salto de que somos responsáveis: a proteção, garantia e efetivação do Direito Humano de toda a população brasileira ao seu pleno desenvolvimento cultural, educacional, econômico e social, onde o desenvolvimento das práticas leitoras exerce um papel estruturante.

Antônio Cândido, um dos nossos grandes intelectuais, que tanto reflete sobre a literatura como Direito Humano, afirma que esta é “fator indispensável de humanização” e “confirma o homem (o ser) na sua humanidade”, palavras que dialogam com as de Vargas Llosa, quando afirma que “a cultura, a literatura, as artes, a filosofia, desanimalizam os seres humanos, ampliam extraordinariamente seu horizonte vital, atiçam sua curiosidade, sua sensibilidade, sua fantasia, seus apetites, seus sonhos, e os tornam mais porosos à amizade e ao diálogo”.

Portanto, a prioridade na consolidação da política pública do livro, leitura e literatura, como política de Estado e com foco primordial na formação de leitores, na qualificação/ampliação de seus espaços e profissionais e no fomento à criação literária, é fundamental para a formação de sujeitos atuantes na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, pautado nos princípios da justiça e da igualdade.

Por isso, Senhora Presidenta, é que apelamos para sua atenção ao assunto, já que, como salientamos no início deste documento, todas as tentativas de diálogo da sociedade civil com o Ministério da Cultura resultaram em frustração e desmonte de um trabalho construído ao longo de anos.

Nossas melhores saudações democráticas

Nilton Bobato, escritor e professor. Representante da Região Sul no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura, e membro titular do Conselho Nacional de Política Cultural/CNPC.

Edgar Borges, escritor e jornalista. Representante da Região Norte no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.

Ademir Assunção, escritor e jornalista. Representante dos escritores (Cadeia Criativa) no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura

Rogério Barata, pedagogo, formador de professores-leitores, contador de histórias. Representante da Cadeia Mediadora no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.

Mileide Flores, livreira. Representante da Região Nordeste no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura, e coordenadora do Fórum de Literatura, Livro e Leitura do Ceará.

João Castro, poeta. Representante dos escritores (Cadeia Criativa) no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura e presidente da União dos Escritores da Amazônia.

Izaura Ribeiro Franco, escritora e editora. Representante da Região Centro-Oeste no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.

Nêmora Rodrigues, bibliotecária. Representante da Cadeia Mediadora no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura, e presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia.

Almir Mota, escritor, editor e produtor cultural. Representante dos escritores (Cadeia Criativa) no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.

Jasmine Malta, professora mestra da Universidade Federal do Piauí. Membro do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura – Cadeia Produtiva.

Kelsen Bravos, professor, editor e escritor. Membro do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura – Cadeia Mediadora.

Benita Prieto, contadora de histórias e produtora cultural. Membro do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura – Cadeia Mediadora.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Oficina de Dramaturgia do SESI/PR

Luiz Henrique Dias, encenador da Cia, ministrará as turmas iniciante e avançada da Oficina de Dramaturgia do SESI/PR em Foz do Iguaçu.

Os interessados em participar da turma iniciante devem enviar, juntamente com a ficha de inscrição, um texto de autoria própria, em uma lauda, não necessariamente de gênero dramático, mas passível, por exemplo, de adaptação ou cuja ideia possa ser, caso haja interesse, desenvolvida para o teatro ao buscar respaldo nos conceitos discutidos durante a Oficina – ainda que não se pretenda orientar os participantes a encaixar suas produções em modelos preestabelecidos -, que podem gerar novas dramaturgias no decorrer dos debates.

Os participantes da turma iniciante de 2011 que tenham interesse em se inscrever para a turma avançada devem enviar, juntamente com a ficha de inscrição, um trecho do texto produzido durante a Oficina.

As inscrições são gratuitas e vão até o dia 20 de abril. A Ficha de Inscrição deve ser enviada para o email nucleodedramaturgia@sesipr.org.br

O Edital e a Ficha de Inscrição estão no site do SESI.

terça-feira, 6 de março de 2012

A esquizofrenia no teatro iguaçuense

Texto de Garon Piceli publicado originalmente em seu blog.

De imediato pode soar mal dizer que um grupo teatral sê esquizofrênico, mas não. Só apresenta sintomas um pouco complicados de entender. São alucinações, alterações de pensamento, transtornos de humor e principalmente a paranoia

Há um teatro em Foz do Iguaçu “sofrendo” destes sintomas – ótimo se fosse contagioso entre os grupos teatrais, se manifestando de forma explosiva e instantânea. Seria ótimo ouvir, saborear, cheirar e sentir tudo o que a esquizofrenia teatral proporcionaria à cidade.

Falo aqui do impulso e da agressividade da Cia Experiencial Teatro do Excluído de Foz do Iguaçu, que com muita força de vontade está se destacando entre as produções teatrais mais intimistas do Brasil.

A exclusividade do teatro está em contar com apenas 10 lugares, os atores encenam em um ambiente de 35 metros quadrados entre os expectadores. A iluminação é pouca e indireta. A palavra dita a interpretação e não o contrário. Não há espetáculo, o que se vê é o trabalho do dramaturgo muito bem regido pelos atores. Algo que ninguém está acostumado, é quase um desconstruir. É uma nova respiração, um novo fôlego, uma nova leitura, uma nova roupagem.

Atualmente em cartaz com “Como se eu fosse o mundo” – do dramaturgo Paulo Zwolinski, peça já montada pelo aclamado diretor Roberto Alvim, o mesmo assina o programa da peça, induzindo o espectador a uma narrativa sombria e sólida do teatro iguaçuense – o encenador Luiz H Dias nos coloca no centro escuro de uma discussão familiar em prantos que dialoga com os sintomas do grupo teatral, a esquizofrenia.

É neste caminhar que eu acredito que a Cia Experiencial Teatro do Excluído está saindo da exclusão e se tornando referencia em produção própria e com muita personalidade em Foz do Iguaçu.

Vale a pena conferir a peça em cartaz no Teatro da Lupah, na rua Rui Barbosa, 1172, Centro. Exibida até o dia 29 de abril aos sábados às 21h.

domingo, 4 de março de 2012

Foz do Iguaçu Deve Criar o Seu Teatro

Ontem, sábado, 21h, apresentamos pela primeira vez na cidade o texto "Como se eu fosse o mundo". A peça foi assistida por apenas dez pessoas - e assim sempre será -, conhecidos ou não. Quatro pontos me alegram no resultado desta estreia:

1 - oferecemos para a cidade dois novos artistas para teatro: Gabriela, atriz, e Yuri, iluminador, ambos treinados e orientados por nossa companhia e fundamentais ao processo. 

2 - abrimos nossa quarta temporada permanente. Algo inédito em Foz. Há tempos vemos os grupos apresentarem seu trabalho algumas poucas vezes ou, mesmo, em uma única apresentação, na maioria dos casos para familiares e amigos. Temos o orgulho de, em uma cidade do interior do Paraná, chegarmos a média de 60% de público espontâneo e desconhecido em todas nossas temporadas. Guizos fez cinquenta e duas sessões na cidade, em apenas quatro meses. 

3 - respeitamos o direito do autor. Não falo apenas do direito de receber pelo seu trabalho - pois isso é um pressuposto - mas do respeito de saber quem está montando seu texto e o porquê de estar montando seu texto. 

4 - respeitamos nossa proposta estética. Respeitamos o Teatro. O espectador. Respeitamos o silêncio e, acima de tudo, o escuro: fundamental à expansão da palavra. Teatro se faz assim. E não de outro jeito. 

Foz do Iguaçu deve criar o teatro. Ele não existe. Nunca existiu. E não estamos sozinhos nesta empreitada. Há, em Foz, apenas dois grupos fazendo parte desse processo. Rompendo com a velha estética definitivamente e criando o teatro da cidade. Não "reerguendo" como pregam uns. Isso é repetir os velhos erros. Criar. Devemos criar. Apenas. 

Agora, seguimos nossa temporada. Todos os sábados, 21h, com Como se eu fosse o mundo. E, a cada final de semana, a cada nova apresentação, a cada novo trabalho, estaremos lá para ajudar a criar o teatro na cidade.
Texto de Luiz Henrique Dias, encenador da Companhia Experiencial O Teatro do Excluído.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Como Se Eu Fosse o Mundo





A ausência 

Um passado. Duas pessoas. Um filho. 

Como se eu fosse o mundo, de Paulo Zwolinski, com direção de Luiz Henrique Dias, fala de presença, e de sua ausência. Num ambiente de silêncio e penumbra, perpetua duas vozes unidas por uma criança e distantes por um abismo. O espectador é convidado a observar o quanto a palavra – mais que o mundo - pode ocupar um lar destruído pela convivência, ou mesmo, pelo acaso. O elemento de coesão entre os presentes é o mesmo de tensão e o insuportável se mostra belo e fundamental. 

A Companhia 

A Companhia O Teatro do Excluído foi fundada em 2007 por Luiz Henrique Dias. Em 2011 entrou em uma nova fase, a da experienciação teatral, consoante com os trabalhos desenvolvidos no Núcleo de Dramaturgia SESI e no estudo das Dramáticas do Transumano. O primeiro trabalho dentro desta estética foi Guizos. A primeira peça teatral na história de Foz do Iguaçu a ser apresentado em três temporadas, com 52 sessões na cidade. Para dar corpo ao seu trabalho, Luiz Henrique Dias fundou, junto com Yuri Amaral, o Teatro da Lupah!, uma sala de 15 lugares, destinada à pesquisa teatral e estética.

Release escrito pelo encenador e dramaturgo Luiz Henrique Dias.
Vídeo criado por Rafael Ramires.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Roberto Alvim e Luiz Henrique Dias escrevem sobre Como Se Eu Fosse o Mundo

UMA EPIFANIA EM FOZ DO IGUAÇU 

Texto de Roberto Alvim para o programa da peça Como Se Eu Fosse o Mundo, da Cia Experiencial O Teatro do Excluído.

estive com luiz henrique dias em foz do iguaçu há algum tempo, por ocasião de uma palestra que ministrei acerca dos novos rumos do teatro contemporâneo brasileiro. nesta ocasião, luiz me falou sobre o sonho de fundar um teatro, que seria a sede de sua companhia, espaço dedicado exclusivamente à investigação de novas possibilidades estéticas para a dramaturgia, para a atuação e para a encenação em nosso país. percebi seu entusiasmo absoluto com o projeto, e me alegrei com ele diante de seus planos, mas confesso que não acreditei que fosse levar a cabo a empreitada (tão difícil, tão na contra-mão de nossa sociedade idiotizante e paralisadora). passados alguns meses, minha alegria foi indizível quando soube que o TEATRO DA LUPAH! já estava sendo inaugurado, e com um texto de sua própria autoria (GUIZOS, obra que sempre considerei brilhante). tive o imenso prazer de assistir a montagem em foz e pude confirmar que ali estava se formando uma companhia rara, repleta de potencialidades, em um trabalho de estreia que já apontava para uma criação madura, inventiva e sem concessões ao senso comum. 

agora, a CIA EXPERIENCIAL O TEATRO DO EXCLUÍDO se aventura em sua segunda encenação (trabalhando com um texto que eu já encenei em 2010), COMO SE EU FOSSE O MUNDO, obra-prima de paulo zwolinski, produto do primeiro ano do NÚCLEO DE DRAMATURGIA DO SESI PARANÁ. a continuidade do trabalho na sede deste precioso grupo configura um milagre, uma epifania em um país que faz de tudo para rechaçar a alteridade. e, mais que isso, confirma o compromisso quase suicida de artistas que criam obras de arte sem concessões, procurando (e conseguindo) ampliar o campo de trabalho do teatro em novas direções, expandindo a própria experiência humana de maneiras imprevisíveis neste nosso início de século XXI. 

tenho certeza de que esta nova montagem irá se desenhar como passo decisivo na configuração de uma linguagem cênica própria, singular; e é de artistas singulares que o teatro brasileiro mais precisa. parabéns por mais esta conquista, caros amigos do teatro do excluído, e sigamos em frente, porque o jogo está apenas começando. 


O Teatro e a Palavra 

Texto de Luiz Henrique Dias 
para o programa da peça Como Se Eu Fosse o Mundo, da Cia Experiencial O Teatro do Excluído.

Num ensaio, certo dia, discutindo sobre qual seria nossa próxima montagem, o ator Gabriel Pasini propôs “Como se eu fosse o mundo”, do Paulo Zwolinski. Eu não conhecia o teor do texto. Sabia apenas do reconhecimento do trabalho do Paulo no Núcleo de Dramaturgia SESI-PR e da montagem feita pelo Roberto Alvim no Festival de Teatro de Curitiba. 

Demorei duas semanas para ler a peça. 

Fiz isso com a ajuda da – na época iluminadora da Companhia e hoje atriz – Gabriela Keller. Fizemos uma leitura em voz. Fiquei surpreso com a potência do material e, principalmente, suas possibilidades. O contato com o autor foi imediato e iniciamos a montagem. 

Optei por trazer ao palco um terceiro ator, um terceiro elemento cênico, pois aqui, no Teatro do Excluído, os atores são elementos cênicos, propagadores da palavra, e escolhi o Guilherme Cardin. O julguei apto a fazer parte do processo por sua simplicidade complexa e pela forma singular com que vê o teatro. 

Em Como se eu fosse o mundo amplificaremos nossa proposta. Zelaremos pela imobilidade. Daremos o devido espaço à palavra, para que ela o ocupe intensamente. Serão dez espectadores por sessão, convidados a ouvir uma bela obra, sem as interferências violentas do teatro espetáculo. Sem sustos. Sem medo. Apenas com respeito e discrição. O respeito e a discrição que o teatro tanto merece. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Entrevista para o blog Bastidores da Arte

O encenador da Cia Experiencial O Teatro do Excluído, Luiz Henrique Dias, em entrevista para o blog Bastidores da Arte, falou sobre as características e implicações da união entre arte e tecnologia e como essas duas áreas se influenciam.


Arte x Tecnologia

A Arte tem o intuito de surpreender. Cada instrumento usado para torná-la completa é inovador e os mais diferentes resultados mostram que fazer arte é arte. Pensando nisso fomos conversar com um dramaturgo e um addicted em tecnologia para fazer uma análise do cenário cultural e tecnológico. Luiz Dias é dramaturgo e Mark Reginatto é apaixonado por tecnologia. Duas opiniões, dois pontos de vista para dois assuntos contrários que surpreendentemente se unem e causam transformações.

Bastidores da Arte: Como você vê o cenário artístico hoje no Brasil? 

Luiz Dias: O cenário é promissor. Mas faço essa análise com ressalvas. Nos últimos anos, principalmente após o iní- cio da gestão do Gilberto Gil, o Ministério da Cultura ganhou um fôlego (financeiro e conceitual) inédito. Antes, na época dos neoliberais, era uma tragédia. Um horror. Hoje mudou muito. Hoje, debatemos o Sistema Nacional, o Fundo, os Pontos de Cultura, e tantos outros projetos gerais ou setoriais em, pelo menos, 19 áreas. Hoje, estamos rediscutindo as discrepâncias da Lei de Incentivo a Cultura. E isso, aler- to a todos, é um avanço considerável. Mas este processo, ao meu ver, ainda é unilateral, pois debate o fomento e a valorização do patrimônio cultural – incontestável – mas fecha-se perigosamente à produção artística, feita através de pesquisa, ou seja, da inovação estética. Entendo arte como o novo e cultura como o velho. Isso não significa que esta é melhor que aquela, ou vice-versa, mas que ambas são fundamentais, essenciais. Observe: a grande maioria do editais ainda carrega, nos critérios de avaliação, termos como “inserção social” ou “contrapartida social”. Eu sou de esquerda, marxista, então posso dizer sem medo: esse apelo social com olhos somente na cultura é, hoje, o que há de mais burro na esquerda. Temos no poder - pois a esquerda está no poder - a chance de reverter o histórico esquecimento da cultura e do patrimônio mas, também, de reinventar a arte. É nosso dever.

Bastidores da Arte: Como você vê o cenário tecnológico? 

Mark Reginatto: A partir do momento que as pessoas estiverem mais contato, mais acesso às diferentes tecnologias, o mundo vai se transformar muito. As coisas estão mudando muito rápido e alguns são privilegiados por ter acesso ao que está saindo de novo mas são poucos os privilegiados. No meu dia a dia a tecnologia é um instrumento necessário e está presente a todo momento. Cada dia que passa tudo está ficando mais fácil e mais fácil de manusear, como exemplo são os diferentes dispositivos criados e os plugins e acessórios para os mesmos. Não há como medir o impacto que isso está fazendo em nos- sas vidas principalmente nas relações pessoais. Você pode andar e notar a sua volta como as pessoas estão conec- tadas, você vê um grupo de amigos e cada um deles está usando a internet de uma forma e assim elas não conversam. E então, até quando nós vamos deixar a tecnologia vai interferir na nossa vida?! E esta resposta é uma questão individual, cada um escolherá o que fazer da melhor forma.

Bastidores da Arte: Arte x Tecnologia, como essas duas vertentes podem se unir? Quais os pontos negativos e positivos?

Luiz Dias: Sendo a arte o novo, ela pode se fundir com a tecnologia de inúmeras formas. E isso é saudável, é bonito. A ideia da arte como clássico, do teatro como figurinos luxuosos, etc, já passou. É um horror ver um Shakespeare hoje. Hamlet morreu há muito tempo, chega! Isso é cultural, é péssimo. Mesmo as versões “atualizadas”, as chamadas “releituras”, são patéticas. São piores que aquelas rimas mal traduzidas ou aquele Coro Grego. Essas coisas foram bonitas há centenas, milhares, de anos. É como ter um relógio de pêndulo em casa. Não serve para nada. Nós o guardamos por simpatia. Apenas. E a nostalgia é o pior dos sentimentos humanos. Temos que inovar, recriar o mundo, o tempo e o espaço. E isso podemos aprender com a tecnologia. Agora, veja bem, há diretores e artistas usando tecnologia por usar, só pra dizer que são contemporâneos. Por exemplo: teatro com projetor multimídia no palco é feio, sem sentido. Não basta colocar um computador lá e falar que é contemporâneo. Tem que ir além. Usar recursos na composição de trilhas sonoras, de efeitos visuais (bem feitos), de música eletrônica tocando com pessoas de carne e osso. Aí sim fica estético, inovador, bonito.

Bastidores da Arte: Arte x Tecnologia, como essas duas vertentes po- dem se unir? Quais os pontos negativos e positivos? 

Mark Reginatto: A união de tecnologia e arte é muito posi- tiva porque nessa área você pode ser vanguarda. Você pode oferecer para o público coisas totalmente novas. Coisas que antigamente seriam impossíveis, hoje com o uso da tecnologia transforma a arte. Um museu por exemplo oferece as peças de maneira interactiva de maneira que as pessoas possam conhecer a arte de uma forma diferente. Hoje está mudando a forma de interpretação da arte onde as pessoa.

Bastidores da Arte: A arte pode influenciar a tecnologia e vice-versa?

Luiz Dias: Sim! Quando inventaram a guitarra, um instrumento elétrico, anunciaram o fim da beleza musical e veja hoje o quanto ela é fundida à boa música. Outro exemplo: o ícone da tecnologia, Steve Jobs, para mim, foi extremamente influenciado pelos minimalistas americanos de New York. Arte e Tecnologia se merecem, se complementam. Ambas recriam o mundo. Extirpam o velho. Veja como o teatro ganhou nova roupagem com a evolução dos equipa- mentos iluminação. A dança então, nem se fale. E há tantos exemplos que arrisco a dizer que tirar a tecnologia da arte e a arte da tecnologia é uma prova de conformidade com o passado, com a sanidade. E passado e sanidade não com- binam com arte. Nem um pouco.

Bastidores da Arte: A arte pode influenciar a tecnologia e vice-versa? 

Mark Reginatto: As pessoas que não tem contato à tec- nologia quando a arte mostra, ela vai impressionar ainda mais. E nisso a tecnologia aumenta o alcance, um exemplo seria uma esquete sendo apresentada no meio da praça e os atroes sem microfone, poucos pessoas ouviriam. Se tiver uma caixinha de som, mais pessoas poderão ouvir e se ainda a peça tiver sendo projectada num prédio o alcance será muito maior. Isso é bem básico mas quando você pensa em laser, internet e tudo a diferença e o alcance é muito maior.

Bastidores da Arte: E o futuro, como poderá ser? 

Luiz Dias: Creio que a fusão será mais efetiva. Mais profunda. Gostemos ou não, é o futuro. Quem não se adap- tar, vai ficar pra trás. Um amigo, dia desses, falou que a arte ficará, em alguns anos, mais interativizada. Com o espectador podendo, por exemplo, decidir os rumos de um espetáculo. Mas eu acho que isso não chega a tanto. A interatividade é um fenômeno atual, vai passar. O povo está empolgado com o facebook, com o twitter, etc. Está empolgado porque, com esses mecanismos, ganhou voz. Mas esta onda passa e, com o tempo, as pessoas voltam a viver suas vidas longes dessas futilidades. Vão enjoar. Aí a tecnologia vai ser usada para outras coisas, como produzir sensações ou invés de sentimentos, orgasmos estéticos ao invés de idiotas catarses orientadas. Agora, eu digo, a arte e a tecnologia vão se amalgamar, mas esta sempre será submissa àquela. Pois a tecnologia é fruto do homem, do consciente, e a arte é fruto de outra instância – real – habitável e, para sorte dos homens, incompreensível.

Arte Cibernética

Imagine-se num espaço em que as paredes são todas brancas e nelas estão pendurados pequenos quadros com rabiscos que representam os ruídos de uma caixa de som que fica situado logo abaixo. Agora imagine você poder controlar a batida da música que está dançando, somente com os movimentos que faz. E que tal ouvir um pequeno robô citar Shakespeare? Essas entre outras coisas foram apresentadas em um evento do Itaú Cultural. 

O espaço separado para exposição é cheio de surpresas, cada porta que entrávamos trazia uma ideia diferente e a confirmação de que a arte pode se traduzir através da tecnologia. A outra novidade era um painel que transmitia fotos dos próprios visitantes. Em frente ao painel havia duas cabines com scanner. Era só aproximar o rosto, ser “escaneado” e pronto! Nos tornamos parte da exposição.

Todas as obras são surpreendentes e fazem com o que o visitante participe de alguma forma, a união de arte e tecnologia nunca foi tão clara para mim. Cada obra mexe com um dos sentidos humanos e causa uma experiência única.

O importante neste momento é desfrutar da tecnologia e aplicar à arte e vice-versa. Unir as duas e levar conhecimen- to, cultura, inclusão digital a toda a população. Duas vert- entes que se unirem vão causar grandes transformações e para que isso se torne realidade, as duas áreas devem ser levadas em consideração e principalmente o apoio aos provedores. Artistas e tecnólogos, uni-vos!

Entrevista publicada originalmente aqui.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Concepções - 1

Texto de Luiz Henrique Dias.

Em nossa nova peça, Como se eu fosse o mundo, escrita por Paulo Zwolinski, com estreia marcada para 25 de fevereiro, novamente buscamos, como Companhia Experiencial, delimitar nosso território com a palavra.

Dirigir o texto do Paulo tem sido uma tarefa complexa e de mão dupla. Uma tarefa bela.

Tenho optado por uma encenação estática – como foi Guizos – mas, pouco pela presença de mais atores, pouco pelo dinamismo que o texto pede, inseri momentos em que movimentos – muito singulares e respeitosos – ocupam a cena e mantém a tensão.

Além disso, a iluminação ganhou mais espaço. Quem assistiu Guizos terá a impressão de estar em um ambiente mais iluminado sem, no entanto, viver a violência causada pelo total descaramento do espaço.

Outro ponto relevante é a opção por dar vida a uma personagem que o texto dispensa, por sua estrutura.

Para essa tarefa, incrementamos ao elenco o jovem Guilherme Cardin, ator de Medianeira, membro de nossa turma de dramaturgia de 2011 e que mudou-se para Foz há alguns dias, depois de nosso convite. Ao lado de Gabriel Pasini, o Tom de Guizos, e da estreante Gabriela Keller, Guilherme será o responsável pelo coesão das cenas e pela produção de instantes de total imprecisão de tempo, espaço e presença.

Apesar das mudanças na forma de nossa nova peça, quando comparada com Guizos, o importante, ao meu ver, é mantermos nossa proposta: fazer um teatro em que o texto falado, a palavra, seja o fator determinantes à percepção do tempo e à noção do espaço.

Boa noite a todos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Terceira Temporada de Guizos na Gazeta do Povo

A Gazeta do Povo trouxe, no Guia de Final de Semana, a reestreia de Guizos no Teatro da Lupah!. A terceira temporada começa hoje (27/01/12), com sessões sempre aos sábados, às 21h. Reservas pelo email teatrodoexcluido@gmail.com.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Comentário de Roberto Alvim

Na postagem sobre Como se eu fosse o mundo, no Facebook, o Encenador e Dramaturgo Roberto Alvim teceu os seguintes comentários:

Roberto Alvim: Encenei este texto no Festival de Curitiba, em 2010, com os atores Patrícia Kamis e Thiago luz. Foi o primeiro texto escrito no Núcleo de Dramaturgia de Curitiba a ser encenado. E para mim foi um trabalho maravilhoso, que inclusive considerei - e foi considerado por alguns críticos - como um dos meus trabalhos mais radicais (foi uma das peças mais escuras (só havia uma lâmpada no chão) e imóveis (os atores se moviam minimamente) que produzi até aquele ponto de minha carreira, inteiramente baseada em deslocamentos entre planos vocais - distintos usos de texturas, ritmos, intensidades vocais). Espero que você, Luiz, e seus atores também tenham uma experiência estética profunda com esta obra, que dispare processos efetivos de invenção de sua linguagem artística. 

Invenção - é para isto que devemos entrar em processos de criação. E invenção é sempre singular, e é uma conquista para um artista. Não tem nada a ver com repetição do que outros fizeram. Entrar em um processo de ensaios significa se abrir para o que a obra fará conosco, para onde a obra nos levará (direções imprevisíveis); e não para o que nós faremos com ela, a partir de reproduções de sistemas criados anteriormente. Enfim, é preciso avançar, meu caro. 

Grande abraço e merda!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Como Se Eu Fosse o Mundo - Reservas!

Já estamos fazendo reservas de ingresso para a peça Como Se Eu Fosse o Mundo :)

Valor:
Ingresso inteiro: R$ 30,00
Meio ingresso: R$ 15,00

Local:
Teatro da Lupah!, que fica na rua Rui Barbosa, 1172, próximo ao shopping Mercosul, no centro.

Quando:
Sempre aos sábados, às 21h, de 25 de fevereiro a 28 de abril.

As reservas podem ser feitas pelo email teatrodoexcluido@gmail.com.







As fotografias são da Renata Baralle.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Como Se Eu Fosse o Mundo

Essas são as primeiras fotos do ensaio da nova peça da Cia Experiencial O Teatro do Excluído: Como Se Eu Fosse o Mundo, do dramaturgo Paulo Zwolinski. Estão no elenco Gabriel Pasini, Gabriela Keller e Guilherme Cardim, com direção e iluminação de Luiz Henrique Dias, fotografia de Renata Baralle, trilha sonora e iluminação de Natacha Pastore e produção executiva de Yuri Amaral.

A estreia acontecerá no dia 25 de fevereiro, no Teatro da Lupah!.



sábado, 7 de janeiro de 2012

Novo Passo

Encerrado o primeiro ano de trabalho da nova formação do Teatro do Excluído, iniciamos agora, no início de janeiro de 2012, os ensaios de nossa nova produção, chamada Como Se Eu Fosse o Mundo, do dramaturgo curitibano Paulo Zwolinski, peça esta escrita durante o Núcleo de Dramaturgia do SESI - Curitiba, sob coordenação do renomado diretor e dramaturgo Roberto Alvim.
Com a possibilidade do início de um novo projeto, nos remetemos a tudo que nos trouxe até aqui e que nos deu forças para um novo passo em nosso trabalho. Quando o projeto GUIZOS foi iniciado, nos decidimos em trazer para Foz do Iguaçu algo que o teatro local nunca tivesse vivenciado: um trabalho profissional, de qualidade, e que transcendesse a visão de "teatro para entretenimento", e sim, um teatro que distorcesse a realidade a fim de que seja possível desconstruir o compreensível da existência humana. Sabíamos dos riscos que corríamos com tamanha ousadia que pretendíamos, em um teatro para poucas pessoas, trabalhando com o contraponto entre luz-escuro, uma atuação que difere dos escândalos e exageros corporais que o público está acostumado a ver, tudo isso para dar vida ao ponto mais importante do teatro: a palavra. A palavra que preenche o espaço e que é a dona de todo o tempo em que está se vivenciando o teatro. Esperávamos, sinceramente, ser compreendido por poucos.
Encontramos em nosso caminho outros empecilhos, além dos empecilhos estéticos que existiam (e que nós mesmos criamos): em uma cidade onde se acredita apenas em teatro comédia, e que grupos vindos de fora são mais bem vistos e mais respeitados do que os grupos da própria cidade, nos foi difícil obter apoio. Obtivemos apoio da Lupah! e do Portal ClickFoz, apoiadores dos movimentos culturais da cidade, que abraçaram nossa causa e foram incentivadores e apoiadores frequentes de nosso trabalho.
Em meio a tantos obstáculos, fizemos nossa estreia, e para nossa surpresa e felicidade, fomos bem acolhidos pelo público. Em uma plateia fixa de 12 espectadores por sessão, conseguimos alcançar nosso objetivo: Ativar naqueles que nos assistiram novas sensações, abrir novos mundos, e trazê-los conosco para algo inalcançável em um patamar sólido de realidade. Tivemos, pela primeira vez em Foz do Iguaçu, um grupo com temporada fixa, iniciando em Julho de 2011 e terminando em Novembro do mesmo ano. Participamos da Mostra Municipal de Teatro de Foz do Iguaçu, no Iguassu Boulevard, onde, para uma plateia maior, conseguimos nos adaptar ao espaço e fizemos também uma apresentação que foi bem recebida pelo público ali presente.
Após conquistarmos nosso espaço, com nossos esforços e de nossos apoiadores, continuaremos nosso trabalho de excelência, com o intuito de trazer a Foz do Iguaçu algo que seja mais do que se espera de teatro. Algo que seja mais do que se espera da existência humana.

Gabriel Pasini

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Guizos!

Foram duas temporadas preenchendo os finais de semana de Foz com uma peça que bagunçou a rotina teatral da cidade. Guizos acabou saindo de seu pequeno sótão para encerrar as apresentações no Festival Municipal de Teatro. Agora, nós, da Cia Experiencial O Teatro do Excluído, voltaremos com mais duas sessões dessa produção que atormentou de forma singular cada um de nossos espectadores.



Será uma sessão no dia 27 e outra no dia 28 (sexta e sábado) de janeiro. Ambas às 21h, no Teatro da Lupah!. São 10 lugares por sessão. O ingresso inteiro custa R$ 30,00 e estudantes pagam R$ 15,00.

As reservas podem ser feitas pelo email teatrodoexcluido@gmail.com.

Sejam bem-vindos ao teatro :)