Encerrado o primeiro ano de trabalho da nova formação do Teatro do Excluído, iniciamos agora, no início de janeiro de 2012, os ensaios de nossa nova produção, chamada Como Se Eu Fosse o Mundo, do dramaturgo curitibano Paulo Zwolinski, peça esta escrita durante o Núcleo de Dramaturgia do SESI - Curitiba, sob coordenação do renomado diretor e dramaturgo Roberto Alvim.
Com a possibilidade do início de um novo projeto, nos remetemos a tudo que nos trouxe até aqui e que nos deu forças para um novo passo em nosso trabalho. Quando o projeto GUIZOS foi iniciado, nos decidimos em trazer para Foz do Iguaçu algo que o teatro local nunca tivesse vivenciado: um trabalho profissional, de qualidade, e que transcendesse a visão de "teatro para entretenimento", e sim, um teatro que distorcesse a realidade a fim de que seja possível desconstruir o compreensível da existência humana. Sabíamos dos riscos que corríamos com tamanha ousadia que pretendíamos, em um teatro para poucas pessoas, trabalhando com o contraponto entre luz-escuro, uma atuação que difere dos escândalos e exageros corporais que o público está acostumado a ver, tudo isso para dar vida ao ponto mais importante do teatro: a palavra. A palavra que preenche o espaço e que é a dona de todo o tempo em que está se vivenciando o teatro. Esperávamos, sinceramente, ser compreendido por poucos.
Encontramos em nosso caminho outros empecilhos, além dos empecilhos estéticos que existiam (e que nós mesmos criamos): em uma cidade onde se acredita apenas em teatro comédia, e que grupos vindos de fora são mais bem vistos e mais respeitados do que os grupos da própria cidade, nos foi difícil obter apoio. Obtivemos apoio da Lupah! e do Portal ClickFoz, apoiadores dos movimentos culturais da cidade, que abraçaram nossa causa e foram incentivadores e apoiadores frequentes de nosso trabalho.
Em meio a tantos obstáculos, fizemos nossa estreia, e para nossa surpresa e felicidade, fomos bem acolhidos pelo público. Em uma plateia fixa de 12 espectadores por sessão, conseguimos alcançar nosso objetivo: Ativar naqueles que nos assistiram novas sensações, abrir novos mundos, e trazê-los conosco para algo inalcançável em um patamar sólido de realidade. Tivemos, pela primeira vez em Foz do Iguaçu, um grupo com temporada fixa, iniciando em Julho de 2011 e terminando em Novembro do mesmo ano. Participamos da Mostra Municipal de Teatro de Foz do Iguaçu, no Iguassu Boulevard, onde, para uma plateia maior, conseguimos nos adaptar ao espaço e fizemos também uma apresentação que foi bem recebida pelo público ali presente.
Após conquistarmos nosso espaço, com nossos esforços e de nossos apoiadores, continuaremos nosso trabalho de excelência, com o intuito de trazer a Foz do Iguaçu algo que seja mais do que se espera de teatro. Algo que seja mais do que se espera da existência humana.
Gabriel Pasini
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