domingo, 4 de março de 2012

Foz do Iguaçu Deve Criar o Seu Teatro

Ontem, sábado, 21h, apresentamos pela primeira vez na cidade o texto "Como se eu fosse o mundo". A peça foi assistida por apenas dez pessoas - e assim sempre será -, conhecidos ou não. Quatro pontos me alegram no resultado desta estreia:

1 - oferecemos para a cidade dois novos artistas para teatro: Gabriela, atriz, e Yuri, iluminador, ambos treinados e orientados por nossa companhia e fundamentais ao processo. 

2 - abrimos nossa quarta temporada permanente. Algo inédito em Foz. Há tempos vemos os grupos apresentarem seu trabalho algumas poucas vezes ou, mesmo, em uma única apresentação, na maioria dos casos para familiares e amigos. Temos o orgulho de, em uma cidade do interior do Paraná, chegarmos a média de 60% de público espontâneo e desconhecido em todas nossas temporadas. Guizos fez cinquenta e duas sessões na cidade, em apenas quatro meses. 

3 - respeitamos o direito do autor. Não falo apenas do direito de receber pelo seu trabalho - pois isso é um pressuposto - mas do respeito de saber quem está montando seu texto e o porquê de estar montando seu texto. 

4 - respeitamos nossa proposta estética. Respeitamos o Teatro. O espectador. Respeitamos o silêncio e, acima de tudo, o escuro: fundamental à expansão da palavra. Teatro se faz assim. E não de outro jeito. 

Foz do Iguaçu deve criar o teatro. Ele não existe. Nunca existiu. E não estamos sozinhos nesta empreitada. Há, em Foz, apenas dois grupos fazendo parte desse processo. Rompendo com a velha estética definitivamente e criando o teatro da cidade. Não "reerguendo" como pregam uns. Isso é repetir os velhos erros. Criar. Devemos criar. Apenas. 

Agora, seguimos nossa temporada. Todos os sábados, 21h, com Como se eu fosse o mundo. E, a cada final de semana, a cada nova apresentação, a cada novo trabalho, estaremos lá para ajudar a criar o teatro na cidade.
Texto de Luiz Henrique Dias, encenador da Companhia Experiencial O Teatro do Excluído.

2 comentários:

  1. Dois grupos de teatro!?
    Talvez as pessoas estejam errando em pensar em uma cultura do seu modo fechada pra si só. A cultura é de todos e pra todos, não devemos considerar como "velho erro" o trabalhos dos poucos que se dispõe a fazer o que ninguém faz. Se fez a diferença na na vida de uma pessoa, quem sabe de uma criança, com certeza valeu a pena. Estamos de certa forma criando quando apresentamos como novidade o velho ao novo. Cultura é um conceito de várias acepções.

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  2. A cultura é de todos, mas nós - na Companhia - não fazemos cultura.

    A cultura, também, não é um "conceito de várias acepções", ela é conceitualmente simples: repetição; patrimônio.

    Abraço.

    ps.: As crianças são umas chatas.

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